Escola Superior de Biotecnologia, 14h30. Saio a pé em direcção à estação do metro do pólo universitário. Primeiro desafio, comprar bilhete. Safei-me porque estava uma menina simpática da empresa do metro junto à máquina e disse-me o mais difícil de descobrir para um caloiro: z2? z3? z4???
Nem 2 minutos de espera e lá entrei no metro. Com o caminho até à estação, mais bilhete, mais espera, são 14h45.
Depois de muito túnel, de repente estou na ponte D. Luis (UAU!!! como o Porto é lindo!) e às 15h00 já estou a sair em General Torres, mesmo em frente ao tribunal. Seguiram-se 15 minutos kafkianos, como só se podem ter num tribunal... mas isso é assunto para outro post. às 15h15 estou de regresso à paragem e às 15h18 apanho o metro. Menos de 15 minutos depois (15h30) já estou no pólo universitário.
Percorro a pé, no meio de nuvens de pó, o caminho até à ESB pela zona em obras. O meu estranho jeito de ser faz-me espreitar para o fundo das condutas em cimento que espreitam aqui e ali. No fundo, triste, corre a ribeira da Asprela, com um forte cheiro a esgoto... não se percebe a razão de a ter enterrado... nem se percebe porque não enterrar o metro nesta zona, já que ele faz o percurso da ponte D. Luis até aqui sempre por túnel...
Enfim, balanço económico: viagem custou 80 cêntimos (comprei andante e 2 viagens, o que deu 50+80*2=2,10). Como fiz tudo em menos de uma hora só paguei uma viagem... Ao chegar comprei garrafa de água por 1 euro. O litro de gasóleo está a 1,021 euros.
Dica final: porta de saída da ESB mais directa é a do fundo do parque de estacionamento... se estiver aberta! que não foi o caso... pelas obras é demasiado pó.
Em síntese: viagem rápida (demora-se 15 minutos da Asprela até à Câmara de Gaia), agradável e relativamente económica. Bem melhor do que ir de carro.
terça-feira, setembro 27, 2005
domingo, abril 03, 2005
Vaca barrosa foi apanhada após 4 semanas de fuga
2.º e último episódio desta saga única em terras de Vila do Conde

Finalmente foi apanhada a vaca barrosã que tinha fugido de Macieira da Maia no dia 23 de Janeiro. Depois de percorrer quase metade das freguesias do Concelho de Vila do Conde ( freguesias do lado sul do Ave ), algumas do Concelho de Matosinhos e ter posto um pé no Concelho da Maia, espraiou-se nas dunas do Mindelo, entre as praias desta freguesia e da vizinha Árvore, permitindo-nos trazer uma outra barrosã sua companheira para uma propriedade que cultivamos em pleno "Pinhal do Mindelo", a cerca de 6 km de casa. Esta propriedade com 3 ha de "boa" erva, tem também um silo de milho aberto onde duas vezes por semana nos deslocamos para trazer um reboque de silagem da qual também a "fugitiva" comia. Para nosso espanto um dia verificamos que havia "bosta" junto ao silo e este estava comido, com muitas pegadas de vaca ao pé.
Já com a companheira dela aí instalada há três dias vimo-la ao fim do dia ( cerca das 18 horas ) chegar, com o seu porte altivo, de uma enorme elegância, e uma esperteza invulgar. A propriedade tem a forma redonda e está cercada de pinheiros, eucaliptos, mimosas e outras árvores em toda a volta. Ao chegar a "fugitiva" corria até ao meio do campo e olhava em toda a
volta, certificando-se de que não havia ninguém que a incomodasse. Depois disso cheirava e lambia a sua colega por alguns minutos e começava a comer, quando tinha a barriga cheia ia-se embora, não sabemos onde dormia. Apenas sabíamos que de manhã, por volta das 6 a 7 horas voltava a ser vista nos campos junto à fábrica Simens.
Colocámo-lhe cercas, mas ela conseguiu saltá-las e já em "desespero de causa" quando apenas víamos o abate como solução para acabar com esta "novela real", o meu pai com a sua experiência de há muitos anos atrás apanhar os texugos que nos destruíam o milho, estudou os caminhos que ela trilhava e "armou um laço" com um cabo de aço pendurado numa mimosa por
onde ela entrava na referida propriedade, denominada "bouça d’areia" e apanhou-a pelos cornos nesse fim de tarde do dia 18 de Fevereiro de 2005.
Curioso foi apanhá-la na nossa propriedade a 6 kms de casa.
Constantino Silva
Finalmente foi apanhada a vaca barrosã que tinha fugido de Macieira da Maia no dia 23 de Janeiro. Depois de percorrer quase metade das freguesias do Concelho de Vila do Conde ( freguesias do lado sul do Ave ), algumas do Concelho de Matosinhos e ter posto um pé no Concelho da Maia, espraiou-se nas dunas do Mindelo, entre as praias desta freguesia e da vizinha Árvore, permitindo-nos trazer uma outra barrosã sua companheira para uma propriedade que cultivamos em pleno "Pinhal do Mindelo", a cerca de 6 km de casa. Esta propriedade com 3 ha de "boa" erva, tem também um silo de milho aberto onde duas vezes por semana nos deslocamos para trazer um reboque de silagem da qual também a "fugitiva" comia. Para nosso espanto um dia verificamos que havia "bosta" junto ao silo e este estava comido, com muitas pegadas de vaca ao pé.
Já com a companheira dela aí instalada há três dias vimo-la ao fim do dia ( cerca das 18 horas ) chegar, com o seu porte altivo, de uma enorme elegância, e uma esperteza invulgar. A propriedade tem a forma redonda e está cercada de pinheiros, eucaliptos, mimosas e outras árvores em toda a volta. Ao chegar a "fugitiva" corria até ao meio do campo e olhava em toda a
volta, certificando-se de que não havia ninguém que a incomodasse. Depois disso cheirava e lambia a sua colega por alguns minutos e começava a comer, quando tinha a barriga cheia ia-se embora, não sabemos onde dormia. Apenas sabíamos que de manhã, por volta das 6 a 7 horas voltava a ser vista nos campos junto à fábrica Simens.
Colocámo-lhe cercas, mas ela conseguiu saltá-las e já em "desespero de causa" quando apenas víamos o abate como solução para acabar com esta "novela real", o meu pai com a sua experiência de há muitos anos atrás apanhar os texugos que nos destruíam o milho, estudou os caminhos que ela trilhava e "armou um laço" com um cabo de aço pendurado numa mimosa por
onde ela entrava na referida propriedade, denominada "bouça d’areia" e apanhou-a pelos cornos nesse fim de tarde do dia 18 de Fevereiro de 2005.
Curioso foi apanhá-la na nossa propriedade a 6 kms de casa.
Constantino Silva
sexta-feira, março 18, 2005
Vaca Barrosã fugiu de Macieira da Maia há três semanas
Literatura popular do mais alto gabarito, publicada no Terras do Ave:
"Hoje tenho que escrever sobre algo de insólito que nos aconteceu.
Somos detentores de uma dúzia de animais de raça minhota (galega), para produção de carne.
Com a Reforma da PAC e a introdução do regime de pagamento único, é possível aumentarmos o encabeçamento devido à libertação de áreas da cultura do milho.
Acresce o facto de haver uns milhares de direitos de vacas aleitantes para distribuir, a quem se candidatar, dentro das regras estabelecidas, podendo o produtor apresentar um plano de crescimento para três anos.
Compramos a primeira vaca minhota em 1996 e desde essa altura que temos apresentado todos os anos pedidos de quota à Reserva Nacional, ou como agora, a pacotes especiais de direitos atribuídos por Bruxelas ao Estado Português, para todo o território nacional.
Em 1997 recebemos 0,2 direitos da reserva nacional; Em 2000 recebemos 5 direitos de um pacote especial.
Em 2004 recebemos 1,8 direitos de outro pacote especial, atribuídos porque tínhamos inscritas no livro genealógico da raça minhota 7 animais e apenas tínhamos quota de aleitantes para 5,2.
Actualmente temos 7 direitos de vacas aleitantes, mas como vão ser distribuídos mais, de um pacote de 45.000 direitos, para todo o País e há a hipótese de apresentar um plano compromisso de crescimento para três anos, candidatamo-nos a mais 8 direitos.
Foi esta vontade de crescer e mostrar que também as vacas aleitantes são uma alternativa para quem abandona o sector leiteiro ou não tem condições para entrar nele, que nos levaram a Ponte de Lima, para comprarmos mais 2 vacas minhotas.
O nosso informador no local, levou-nos à povoação de Escusa, na freguesia de Cabração, no cimo da Serra d’Arga, junto à Senhora do Minho.
Aí encontramos um rebanho de 11 animais, 8 adultas (das quais 2 eram barrosãs) 2 novilhas e um vitelo.
Conduzidos da Serra pelo agricultor/pastor de 73 anos muito curvado, pelo peso da canseira diária e dos quilómetros que tinha que percorrer com os seus animais para lhes matar a fome. Foi fácil o contacto e a conversa. Quando lhe perguntamos se queria vender 2 vacas, ele respondeu de imediato que as vendia todas, mas teríamos de falar com o seu filho que vivia em Gaia, para onde tinha também ido a sua mulher devido a problemas de saúde.
O nosso interlocutor vivia sozinho e a povoação tinha pouco mais de uma dúzia de pessoas. Falamos com o filho e fizemos o negócio. No dia 23 de Dezembro de 2004 trouxemos todos os animais para Macieira e o filho levou o pai para Gaia onde na "Graça de Deus", deve ter passado o Natal mais descansado.
À chegada dos animais desparasitámo-los e demos-lhe um "choque vitamínico".
O seu estado era muito débil e como não sabíamos se tinham problemas de saúde, pusemo-los em quarentena para lhes tirar sangue para analisar e ver o seu comportamento e adaptação alimentar e ao meio.
Até aqui tudo normal, se não fosse o facto de uma das duas barrosãs ter fugido no dia 23 de Janeiro de 2005, precisamente um mês depois da sua chegada à nossa exploração.
As minhotas adaptaram-se bem e começaram a melhorar a "olhos vistos", mas as barrosãs não.
Na tentativa de lhes melhorar os "aposentos" chamamos um transportador para as mudar para outras instalações, mas quando entram para o transporte uma resolveu atirar-se a baixo e fugir. Logo nesse primeiro dia correu as freguesias de Macieira e Fornelo até ao lugar do "bicho" onde deixamos de a ver. Na terçafeira estava junto à Agrária em Vairão e Fajozes onde tentamos fazer-lhe um cerco mas em vão pois fugiu-nos para Árvore.
Nessa noite de terça-feira vimo-la em Gião, Malta e Canidelo onde voltamos a perde-la cerca das 21horas.
Às 22,30 horas, estava novamente ao cruzeiro de Fajozes onde foi vista em direcção à Igreja.
No dia seguinte foi vista no lugar da Areia, em Árvore e depois estivemos quase uma semana sem saber por onde andava. Ouvíamos falar que foi vista em Pampelido, em Labruje e em Vila Chã.
Nós só a vimos novamente na quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, na reserva de Mindelo, depois de alertados por agricultores desta freguesia.
Como ela se fixou aí, resolvemos falar com o Parque Zoológico da Maia que disponibilizou três pessoas entre elas uma Veterinária e um técnico com experiência para a tentar anestesiar, mas não conseguimos.
Hoje, 13 de Fevereiro ainda não conseguimos deitar-lhe a mão apesar das inúmeras armadilhas" que lhe preparamos.
Continuamos empenhados e a fazer todos os esforços possíveis para a apanhar viva.
Agradecemos a colaboração de todos os que têm ajudado e pedimos desculpas pelos estragos que a vaca tenha causado, nomeadamente a erva que rouba e pisa aqui e ali.
Voltaremos a dar notícias no próximo número.
"Hoje tenho que escrever sobre algo de insólito que nos aconteceu.
Somos detentores de uma dúzia de animais de raça minhota (galega), para produção de carne.
Com a Reforma da PAC e a introdução do regime de pagamento único, é possível aumentarmos o encabeçamento devido à libertação de áreas da cultura do milho.
Acresce o facto de haver uns milhares de direitos de vacas aleitantes para distribuir, a quem se candidatar, dentro das regras estabelecidas, podendo o produtor apresentar um plano de crescimento para três anos.
Compramos a primeira vaca minhota em 1996 e desde essa altura que temos apresentado todos os anos pedidos de quota à Reserva Nacional, ou como agora, a pacotes especiais de direitos atribuídos por Bruxelas ao Estado Português, para todo o território nacional.
Em 1997 recebemos 0,2 direitos da reserva nacional; Em 2000 recebemos 5 direitos de um pacote especial.
Em 2004 recebemos 1,8 direitos de outro pacote especial, atribuídos porque tínhamos inscritas no livro genealógico da raça minhota 7 animais e apenas tínhamos quota de aleitantes para 5,2.
Actualmente temos 7 direitos de vacas aleitantes, mas como vão ser distribuídos mais, de um pacote de 45.000 direitos, para todo o País e há a hipótese de apresentar um plano compromisso de crescimento para três anos, candidatamo-nos a mais 8 direitos.
Foi esta vontade de crescer e mostrar que também as vacas aleitantes são uma alternativa para quem abandona o sector leiteiro ou não tem condições para entrar nele, que nos levaram a Ponte de Lima, para comprarmos mais 2 vacas minhotas.
O nosso informador no local, levou-nos à povoação de Escusa, na freguesia de Cabração, no cimo da Serra d’Arga, junto à Senhora do Minho.
Aí encontramos um rebanho de 11 animais, 8 adultas (das quais 2 eram barrosãs) 2 novilhas e um vitelo.
Conduzidos da Serra pelo agricultor/pastor de 73 anos muito curvado, pelo peso da canseira diária e dos quilómetros que tinha que percorrer com os seus animais para lhes matar a fome. Foi fácil o contacto e a conversa. Quando lhe perguntamos se queria vender 2 vacas, ele respondeu de imediato que as vendia todas, mas teríamos de falar com o seu filho que vivia em Gaia, para onde tinha também ido a sua mulher devido a problemas de saúde.
O nosso interlocutor vivia sozinho e a povoação tinha pouco mais de uma dúzia de pessoas. Falamos com o filho e fizemos o negócio. No dia 23 de Dezembro de 2004 trouxemos todos os animais para Macieira e o filho levou o pai para Gaia onde na "Graça de Deus", deve ter passado o Natal mais descansado.
À chegada dos animais desparasitámo-los e demos-lhe um "choque vitamínico".
O seu estado era muito débil e como não sabíamos se tinham problemas de saúde, pusemo-los em quarentena para lhes tirar sangue para analisar e ver o seu comportamento e adaptação alimentar e ao meio.
Até aqui tudo normal, se não fosse o facto de uma das duas barrosãs ter fugido no dia 23 de Janeiro de 2005, precisamente um mês depois da sua chegada à nossa exploração.
As minhotas adaptaram-se bem e começaram a melhorar a "olhos vistos", mas as barrosãs não.
Na tentativa de lhes melhorar os "aposentos" chamamos um transportador para as mudar para outras instalações, mas quando entram para o transporte uma resolveu atirar-se a baixo e fugir. Logo nesse primeiro dia correu as freguesias de Macieira e Fornelo até ao lugar do "bicho" onde deixamos de a ver. Na terçafeira estava junto à Agrária em Vairão e Fajozes onde tentamos fazer-lhe um cerco mas em vão pois fugiu-nos para Árvore.
Nessa noite de terça-feira vimo-la em Gião, Malta e Canidelo onde voltamos a perde-la cerca das 21horas.
Às 22,30 horas, estava novamente ao cruzeiro de Fajozes onde foi vista em direcção à Igreja.
No dia seguinte foi vista no lugar da Areia, em Árvore e depois estivemos quase uma semana sem saber por onde andava. Ouvíamos falar que foi vista em Pampelido, em Labruje e em Vila Chã.
Nós só a vimos novamente na quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, na reserva de Mindelo, depois de alertados por agricultores desta freguesia.
Como ela se fixou aí, resolvemos falar com o Parque Zoológico da Maia que disponibilizou três pessoas entre elas uma Veterinária e um técnico com experiência para a tentar anestesiar, mas não conseguimos.
Hoje, 13 de Fevereiro ainda não conseguimos deitar-lhe a mão apesar das inúmeras armadilhas" que lhe preparamos.
Continuamos empenhados e a fazer todos os esforços possíveis para a apanhar viva.
Agradecemos a colaboração de todos os que têm ajudado e pedimos desculpas pelos estragos que a vaca tenha causado, nomeadamente a erva que rouba e pisa aqui e ali.
Voltaremos a dar notícias no próximo número.
sexta-feira, março 04, 2005
Areeiros

Entretanto muita tinta continua a correr sobre o assunto... os vários pareceres e relatórios elaborados (LNEC, Parlamento...) concluiram que a principal causa da queda da ponte foi a extracção das areias.
Em Março de 2004 os familiares das vítimas desistiram das acusações contra os areeiros (!!!). Poucos dias depois o juiz de instrução Nuno Melo opta por não pronunciar nenhum dos 29 arguidos no processo e os familares ficam revoltados (???).
Entretanto o Tribunal da Relação do Porto revogou a decisão de arquivamento do processo e faz sentar no banco dos réus os técnicos da ex-JAE e os responsáveis da ETCLDA. De fora ficam as empresas de extracção de inertes. O advogado deles comenta que os areeiros “não poderiam ser responsabilizados por um dever de fiscalização que não lhes competia”. Por outras palavras, como não havia fiscalização, foi "fartar vilanagem". A partir de agora os culpados são os polícias, porque não impedem os assaltos, e não os assaltantes...
Relativamente a esta questão, e ao contrário de outros momentos, o Presidente da Câmara de Castelo de Paiva mostrou-se particularmente discreto...
Mas vamos ser justos. Com toda a probabilidade os areeiros respeitaram sempre os limites impostos e nunca suspeitaram que a sua actividade pudesse ter qualquer impacto. Para termos certezas basta ir visitar a Reserva Ornitológica de Mindelo, onde os mesmo areeiros continuam a trabalhar.
A Voz ao Povo de Entre-os-Rios

Faz hoje 4 anos. Caiu uma ponte, morreram 59 pessoas. Partilho o "texto de revolta" que escrevi em Março de 2001:
"Geralmente todos os grandes acidentes surgem na sequência de um número elevado de situações que, tragicamente, fazem coincidir os seus efeitos nefastos num determinado momento. Também relativamente à “tragédia da ponte” terá acontecido o mesmo: o Inverno tempestuoso, a fiscalização insuficiente, as descargas excessivas das barragens, a extracção e a acumulação das areias, a idade da ponte, a utilização que não estava prevista... todos os factores juntos, fazendo sentir os seus efeitos crónicos e agudos, provocaram a queda. Provavelmente nenhum deles isoladamente seria suficiente e por isso deveremos evitar simplificações dos acontecimentos que sejam injustas.
O que há a fazer neste momento, para além de tentar atenuar o irremediável, é evitar que novas situações semelhantes surjam procurando soluções de fundo. Podemos sempre instalar modernos aparelhos de controlo em todas as pontes e barragens, monitorizados à distância por numerosos técnicos qualificados e atentos, nacionais e estrangeiros, realizar visitas in loco todos os meses e inspecções rigorosas e exaustivas. Fazer grandes campanhas de sensibilização junto dos areeiros explicando-lhes os seus limites, que o lucro fácil é pecado, e prender os infractores, criar novos institutos e novas leis, mais quadros técnicos, novos programas de intervenção e fiscalização, fazer mais uma rodagem nas posições dos políticos. Tudo deveria ser começado pela substituição de todas as pontes com mais de cinco anos por pontes novas. Sem esquecer de controlar o clima e o azar.
Um interessante passatempo pode ser dividir as propostas acima em ingénuas, de fachada, insuficientes, de comprovada ineficácia, demasiado caras, complexas, impossíveis ou apenas irónicas.
Se pudéssemos voltar atrás no tempo (o que nem sequer com 10 milhões de pessoas a desejar ao mesmo tempo foi possível), o que é que teria de facto evitado que a ponte caísse? E já agora que fosse simples e barato?
Na verdade teria bastado ouvir os avisos das populações. E foram muitos e repetidos, chegando ao cúmulo de ter pessoas a serem chamadas ao tribunal no dia em que aparecia o primeiro corpo, acusadas de terem cortado o trânsito na ponte para chamar a atenção para a necessidade urgente de intervir.
Só as pessoas que vivem ao lado da ponte, que por lá passam todos os dias, que tantas horas passaram a olhar para ela, a contar histórias com a ponte como personagem, a ver trabalhar os areeiros e passar os camiões, a sentir os tremores e os ruídos e até os cheiros, dia após dia, só essas pessoas podem sentir o que nenhuma equipa de manutenção pode averiguar, o que nenhum técnico pode prever, o que nenhum político pode alguma vez reparar, e mesmo sem saber explicar porquê, essas pessoas sabiam que a ponte estava em perigo. E disseram-no.
E ninguém ouviu e ninguém fez nada. Porque em Portugal não são os cidadãos que mandam. É a tentação do lucro fácil, o bloqueio da burocracia, a sede de protagonismo dos políticos, na defesa de interesses que nada têm a ver com os das populações. Se as pessoas pudessem participar nas decisões colectivas que afectam directamente os seus interesses, se tivessem as suas cartas e abaixo-assinados à administração considerados, se as ouvissem, se fossem promovidos inquéritos de opinião para definir prioridades de investimento, promovidos referendos e assembleias... se os técnicos e os políticos tivessem parado para ouvir os berros de aviso dos cidadãos de Castelo de Paiva e intervindo de acordo, não havia idade da ponte, areeiro ou mau tempo que a deitasse abaixo, e nem sequer eram necessárias inspecções.
Este é o verdadeiro motivo estrutural e fundamental porque a ponte caiu: porque em Portugal não são as pessoas que mandam.
Desenganem-se os que acham que é uma questão de interioridade, porque nas cidades também as pessoas não são ouvidas e, se se gasta mais, também se gasta muito pior, assim como não são melhores os dramas diários que se vivem.
Para inverter esta situação é preciso admitir que a sabedoria colectiva dos cidadãos, integrada com o conhecimento técnico, vale mais que a decisão isolada do líder político fechado no gabinete, por mais reflectida e isenta que esta seja.
A possibilidade que temos hoje de de vez em quando escolher o menos mau dos candidatos eleitorais e votar em referendos esotéricos sabe a pouco e não é motivador. Sem formação nem informação, sem qualquer possibilidade real de influenciar as decisões, não se pode esperar que as pessoas assumam a política e participem. Quando em situação de desespero ou alvo de manipulação, os cidadãos acabam por optar pela única via que tem dado resultados: queimar pneus e chamar a televisão (aliás em ordem inversa). Obviamente esta é uma forma deturpada e não desejável de participação.
A implementação de um novo modelo de decisão participativa seria fácil, porque hoje já existem as ferramentas necessárias, mesmo em Portugal, e é impossível fechar os olhos aos exemplos de sucesso. Além do mais os técnicos, há muito bloqueados pela politiquice, receberiam certamente de braços abertos as prioridades definidas directamente pelos cidadãos.Mas no final talvez fôssemos obrigados a concluir que os políticos, tal qual os conhecemos, afinal não fazem falta nenhuma, antes pelo contrário. Que bem os poderíamos substituir por técnicos treinados para ouvir os interesses dos cidadãos. Poupando-se muito dinheiro, muita paciência e evitando que muitas das pontes caíssem."
segunda-feira, dezembro 27, 2004
Nasceu o menino Jesus...
... e, sinais do tempo, é menina e chama-se Matilde
prometo fotos para breve. Parabéns aos pais babados!
prometo fotos para breve. Parabéns aos pais babados!
sábado, dezembro 25, 2004
Este Natal senti-me despido...
... de emoções, de paz, de força, de aconchego. Ainda assim, sou um homem de sorte porque tenho amigos e familia com quem partilhar este maltrapilho...
terça-feira, dezembro 21, 2004
Matar o tempo em Barcelona









O que é o tempo? "Meio indefinido e homogéneo no qual se desenrolam os acontecimentos sucessivos", de acordo com o dicionário... Lembro-me que um dia deu-me para perguntar o que é um número... fartei-me de investigar e acho que a professora de filosofia do liceu ficou a adorar-me depois de longas conversas sobre o assunto... :)
Mas como estou numa fase mais visual, deixo as filosofias de parte e junto 10 relógios de um tempo bem passado na Catalunha...
1. aeroporto FSC
2. porto olímpico (bcn)
3. relogio de sol na casa terrades ou de los punxes (bcn)
4. las ramblas (bcn)
5. las ramblas ii (bcn)
6. universidade (bcn)
7. comboio bcn-figueras
8. cafe (figueras)
9. museu dali (figueras)
10. museu dali (figueras)
domingo, dezembro 12, 2004
Campeões do Mundo!!!
Somos os maiores carago!!! Disputou-se a 25ª e última Taça Intercontinental de Futebol. Até hoje 12 vitórias para os sulamericanos, 12 para os europeus. Um jogo decisivo portanto... foi preciso sofrer muito, injustiças nomeadamente, mas acabamos por ganhar naquilo que era o mais forte dos colombianos e que eles procuravam desde o inicio: as grandes penalidades. Foi uma seca mas teve tambem esse gosto especial... fica gravado para a posteridade o olhar vesgo e matador do pedro...
Tentaram fazer-me a cama...
É verdade, tentaram fazer a cama aos bravos... impressionante. Mas a malta não é para brincadeiras e não se deixa queimar... mas é nojento ver a forma deste pessoal "trabalhar"... argh!!! A mosquinha até é simpática à beira disso.
sábado, dezembro 11, 2004
Coração Pirata
Roupa Nova, grupo carioca de música pop, formado em 1970, tem esta música de que lamentavelmente eu gosto:
"QUANDO A PAIXÃO NÃO DÁ CERTO
(NÃO HÁ POR QUE ME CULPAR)
EU NÃO ME PERMITO CHORAR
(JÁ NÃO VAI ADIANTAR)
E RECOMEÇO DO ZERO (NADA)
SEM RECLAMAR
O meu coração pirata
Toma tudo pela frente
Mas a alma adivinha
O preço que cobram da gente
E fica sozinha
Levo a vida como eu quero
Estou sempre com a razão
Eu jamais me desespero
Sou dono do meu coração
Ah! O espelho me disse
Você não mudou
Sou amante do sucesso
Nele eu mando, nunca peço
Eu compro o que a infância sonhou
Se errar eu não confesso
Eu sei bem quem eu sou
E nunca me dou
QUANDO A PAIXÃO NÃO DÁ CERTO
(NÃO HÁ POR QUE ME CULPAR)
EU NÃO ME PERMITO CHORAR
(JÁ NÃO VAI ADIANTAR)
E RECOMEÇO DO ZERO (NADA)
SEM RECLAMAR
As pessoas se convencem
De que a sorte me ajudou
(Mas) Plantei cada semente
que o meu coração desejou
Ah! O espelho me disse
Você não mudou...
QUANDO A PAIXÃO NÃO DÁ CERTO . . .
Faço porque quero
Estou sempre com a razão
Eu jamais me desespero
Sou dono do meu coração
Ah! O espelho me disse
Você não mudou
Você não mudou"
metáfora de um momento
No dia 6 de Agosto de 1945 uma bomba nuclear rebentou em Hiroshima. Teria sido necessária para acabar com a guerra? E porquê Nagasaki 3 dias depois? Qual a justificação? ... Merda!
como será o futuro?
Num contexto de independência e igualdade, absolutamente indispensáveis, como será o futuro do relacionamento entre homens e mulheres? Haverá espaço para relações estáveis a 2? Aqueles que foram criados na 2.ª geração, conseguirão ultrapassar estigmas e desconfianças? Haverá lugar para o Amor?
sexta-feira, dezembro 10, 2004
quarta-feira, dezembro 08, 2004
Partimpim...
Um CD lindo que eu ofereci ao meu sobrinho... ele adorou :)~ (OK, padrinho babado). Não é fácil encontrar músicas que agradem simultaneamente a criaças e adultos... este CD consegue esse milagre, e só por isso já seria exemplar.
Aqui fica, como prometido, com especial dedicação:
Fico Assim Sem Você
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro 'amasso'
Sou eu assim sem você
To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo Porque? Pooooooorque?
Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Adriana Calcanhotto ao Globo, 28/07/2004:
"Adriana Partimpim é um heterônimo meu, não um pseudônimo. O pseudônimo quer esconder algo, o heterônimo é uma outra persona, com outro trabalho" diz Adriana, a Calcanhotto. "Engraçado que estive agora em Portugal e, quando falava que Partimpim era um heterônimo, eles compreendiam perfeitamente. Estão acostumados com heterônimos."
Adriana Partimpim nasceu quando, insatisfeita com o nome dado, a menina Adriana Calcanhotto preferiu ter um nome inventado. O pai dela achou tanta graça que até hoje chama a filha da forma como ela gostaria de ser chamada. Mas a Partimpim assumiu sua persona artística só agora, depois de se deparar, por sugestão do falecido poeta Waly Salomão, com um texto do pintor impressionista Henri Matisse, no qual ele dizia: "O sucesso é uma prisão e o artista jamais deve ser prisioneiro de si mesmo, prisioneiro do estilo, prisioneiro da reputação, prisioneiro do sucesso etc. Não escreveram os irmãos Goncourt que os artistas japoneses do grande período mudavam de nome várias vezes na vida? Amo isso: eles queriam salvaguardar
suas liberdades".
"Eles trocavam de nome cada vez que achassem necessário: um acontecimento artístico, pessoal, um insight , um impacto. O que me interessa no texto do Matisse é a vontade de não acumular nada, reputação, nem boa nem má, de se livrar de tudo e fazer uma outra coisa."
...
http://www.adrianapartimpim.com
terça-feira, dezembro 07, 2004
what a day!!!
De manhã, stress, stress, stress... já alguma vez prestaste serviços para uma Câmara Municipal? Então sabes o que quero dizer... se não experimentaste nunca... não queiras!!!
Ainda sem almoçar apesar de ser de tarde, lá vou eu para o tribunal da Vila... tudo isto porque um certo tipo (segredo de justiça) lembrou-se de me ligar a ameaçar de morte! Sim, posso dizer, sou um ambientalista medalhado! Obrigado... obrigado... saio ainda num S a digerir os ofícios todos e a entrevista com o magistrado e... mergulho numa entrevista na rádio Linear "Uma Música Uma Vida"... epa, nunca tinha sido entrevistado para assuntos pessoais... uma sensação estranha esta de partilhar assuntos destes com uma audiência que não se conhece... claro que naturalmente atrapalhei-me todo, porque entrevistas não é o meu forte, muito menos sobre mim, muito menos sobre música... lá ficou a minha escolha, à falta de uma verdadeira "banda sonora da minha vida", que não existe: Adriana Calcanhoto - Partimpim - Fico Assim Sem Você. Tinha que ser uma voz feminina, tinha que ser brasileira... (para ser representativa dos meus gostos musicais), e além do mais... OK, não vou revelar. Segue a letra em próximo post...
Bem, depois foi mais stress, stress, stress... e lá me "rendi" a ver um jogo de futebol no mítico café do Fernando, com o meu grande amigo Camilo... "It really was the stuff of champions" (in www.uefa.com)...
Ainda sem almoçar apesar de ser de tarde, lá vou eu para o tribunal da Vila... tudo isto porque um certo tipo (segredo de justiça) lembrou-se de me ligar a ameaçar de morte! Sim, posso dizer, sou um ambientalista medalhado! Obrigado... obrigado... saio ainda num S a digerir os ofícios todos e a entrevista com o magistrado e... mergulho numa entrevista na rádio Linear "Uma Música Uma Vida"... epa, nunca tinha sido entrevistado para assuntos pessoais... uma sensação estranha esta de partilhar assuntos destes com uma audiência que não se conhece... claro que naturalmente atrapalhei-me todo, porque entrevistas não é o meu forte, muito menos sobre mim, muito menos sobre música... lá ficou a minha escolha, à falta de uma verdadeira "banda sonora da minha vida", que não existe: Adriana Calcanhoto - Partimpim - Fico Assim Sem Você. Tinha que ser uma voz feminina, tinha que ser brasileira... (para ser representativa dos meus gostos musicais), e além do mais... OK, não vou revelar. Segue a letra em próximo post...
Bem, depois foi mais stress, stress, stress... e lá me "rendi" a ver um jogo de futebol no mítico café do Fernando, com o meu grande amigo Camilo... "It really was the stuff of champions" (in www.uefa.com)...
quinta-feira, dezembro 02, 2004
um mau início

não podia começar mais em baixo. isso tenho a certeza. quanto ao resto... não interessa nada. eu avisei... siga em frente.
Deste-lhe vida, Pablo, com o teu poema “Quem morre?” . Haverá algum para mim?
"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."
Terá que servir este que agora encontro, por enquanto.
Resta-me fazer um funeral decente.
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