
24 de Julho de 2008. mais um dia que fica para a história da ROM. primeiro porque foi finalmente publicado o
novo regime juridico da conservação da natureza e da biodiversidade, que pode vir a enquadrar a nova área protegida, mas que acima de tudo virou uma ampulheta. a ROM é agora e
pela primeira vez reconhecida no âmbito da rede nacional de áreas protegidas, mas tem dois anos para ver o novo estatuto ou (supostamente) deixa de existir (Artigo 49.º).
em segundo lugar porque teve lugar no CMIA uma
mesa redonda sobre a ROM, com a participação do meu amigo VC, do ICNB, da FCUP, JF de Mindelo e Azurara (o presidente de Árvore disse-me hoje que nao foi convidado), os Amigos do Mindelo claro, e mais alguns. o meu amigo VC disse claramente "não há nada que possa impedir a classificação". o Paulo Pires do ICNB disse claramente "a bola está do lado da Câmara".
A Teresa Andresen apresentou o caminho a seguir: delimitar o dominio publico hidrico, junto ao mar e ribeiros; dialogar com os proprietários e preparar um "plano de negócios"; parar os atentados; planear cuidadosamente e de forma participada o que se vai fazer na estrada velha (a "sala de visitas" da ROM).
O presidente da JF Azurara chamou a atenção mais uma vez para a extracção de areias em Vila do Conde, feita sem regras nem justificação, e que rende mais num dia do que todo o pescado num ano.
por mim sinto-me novamente na pele do miúdo de poucos anos de vida, sentado no carro com a minha familia, a atravessar a ROM pela estrada velha, a antecipar o que o meu pai sempre fazia: desligar as luzes do carro e divertir-se com os nossos berros de terror pela escuridão selvagem. a nova classificação está supostamente para breve, assim como estava
mais de um ano atrás. e daqui a dois anos antecipa-se a escuridão (ou a luz).
mas muita água ainda vai correr na ribeira do Pisco. no próximo ano há eleições e o movimento pela ROM vai participar de forma intensa e na rua. para dar votos ao Mário de Almeida ou para os retirar. a decisão não está nas nossas mãos.