
Para quem não sabe a
IKEA é uma multinacional ligada à produção e comercialização de mobiliário de baixo custo, apostando num design utilitário e moderno. Foi fundada na Suécia mas é propriedade de uma fundação registada na Holanda (excelente forma de fugir aos impostos), controlada por
Ingvar Kamprad, um dos homens mais ricos do mundo, com um passado Nazi (do qual se arrependeu publicamente).
A IKEA possui uma
loja em Alfragide (2004) e pretende abrir mais 6 lojas, uma das quais em Matosinhos, a abrir em 2007.
Hoje anunciou a decisão de construir 3 fábricas em Paços de Ferreira.A IKEA abriu uma espécie de "concurso público" para decidir a localização das fábricas: Estarreja, Paredes ou Paços de Ferreira. As autarquias apresentaram as suas propostas.
Paços de Ferreira apresentou uma proposta arrasadora em termos de preço.Pudera! Terrenos classificados de
Reserva Ecológica Nacional, com
sobreiros (uma espécie supostamente protegida), nas
cabeceiras das linhas de água da Serra da Agrela, com
declives superiores a 40%, e por tudo isto desvalorizados em termos de mercado.
Paredes apresentou uma zona industrial, devidamente preparada, financiada por fundos comunitários.
É quando o Governo decide "dar uma mão" a Paços de Ferreira,
suspendendo o PDM em 53 hectares de terreno, com a colaboração da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (suspensão publicada em
Diário da República de 20 de Outubro), desvirtuando assim as "regras do jogo."
A que se recorre? Como habitual, às "
medidas preventivas" que foram criadas com outro fim. Qual o argumento? O do
interesse público, já que "não existem alternativas na região".
E ali mesmo ao lado, zonas industriais pagas por todos nós, completamente vazias.Afinal para que se fazem planos de ordenamento? Para baixar os preços dos terrenos para a construção de fábricas?
Mas sabem o que eu acho? Que o Governo se meteu com a pessoa errada (presidente da CM de Paredes), alguém para quem o ordenamento não é uma palavra vã. Pessoa com quem reuni, por coincidência, no exacto momento em que tinha descoberto o "golpe" preparado pela CCDR e que coloquei em contacto com a Quercus. Quando é preciso, autarquias e associações de defesa do ambiente, juntas pelo mesmo objectivo de salvaguardar o território. Alguém vê mal nisso?
Porque me meti nisto? Porque calhou estar lá. Porque luto pelo mesmo (Nassica, Lactogal, Quimonda,
todas construidas em áreas de reserva em Vila do Conde). Porque ainda acredito no ordenamento do território e que é preciso termos árvores, nem que seja para fazer mobiliário.
Entretanto, e como não posso boicotar o Governo (ou posso? hummm...), e enquanto consumidor,
decidi boicotar a IKEA, que certamente não é alheia a tudo isto e que já tem um historial internacional de localizações "conflituosas".
E para já seguem protestos para a IKEA, CMPaços de Ferreira, Ministro da Economia, Primeiro-Ministro, CCDR e Agência Portuguesa para o Investimento.
Haja vergonha!PS. Não estou contra a instalação da fábrica em Portugal, não faz é sentido o Governo estar a "oferecer" o nosso património natural e a ignorar tudo o que são regras de ordenamento do território e mesmo regras de competição entre municípios.Como diria o diácono Remédios
, não havia necessidade!