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sábado, maio 31, 2008

amigos do mindelo

é oficial. a partir de hoje deixei de ser o presidente dos amigos do mindelo, cargo que ocupei nos últimos dois mandatos. despedidas nao as vou fazer porque já as fiz aqui. o novo presidente é o miguel torres, anterior vice-presidente, que irá conduzir a associação até às eleições que deveriam ter sido hoje mas que foram adiadas para setembro. estou tranquilo, já que foi a melhor decisao para a associação e para mim, e que surge no momento certo. e existem pessoas que estao habilitadas e interessadas em dar continuidade ao trabalho da associação, no qual já estao a participar de forma bem activa e que terão ainda muito mais para dar. eu por mim continuarei a colaborar e fico agora ainda com mais disponibilidade para garantir que a nova ROM chegará a bom porto, e que os guardioes da natureza continuarao a fazer o trabalho magnifico que está em curso. ontem chegou mais uma boa noticia: um dos nossos ninhos "artificiais" já foi ocupado e temos três filhotes a crescer.

sábado, dezembro 29, 2007

to be continued...


uma última referência, para a família e amigos, como não podia deixar de ser. os primeiros continuam a resistir a tudo e todos, sempre presentes. os segundos continuam a ser a melhor comunidade do mundo.
e assim termina a minha análise biográfica, que começou aqui há mais de 2 anos, primeiro reflexiva e agora mais factual, por pragmatismo e reserva. porque fiz isto? como diria a minha orientadora, "com o trabalho biográfico podemos perceber até que ponto a nossa própria consciência se vai abrindo e sentirmos que sempre esteve connosco (a consciência), embora não estivéssemos sempre conscientes disso. (...) O fio de ouro da vida é o que nós queremos encontrar com o trabalho biográfico (isto no fundo é encontrar o sentido da vida). Podemos começar a ver o livro ou puzzle que somos. é importante compreender o que aprendi de todas as experiências. Que qualidades me obrigaram a desenvolver? Para quê?"

A todos os que fazem parte da minha vida, desejo o melhor dos anos, cheio de novos episódios com final feliz.

fénix renascida


No dia 21 de Abril de 2005 terminou oficialmente o que já não existia, e que nem Paris salvou. Continuou a luta por uma nova vida, que "não podia começar mais em baixo", como escrevi no primeiro post deste blog. Algumas tentaram arranhar a couraça criada, com alguns pequenos e saborosos êxitos. Mas só este ano encerrei em definitivo o livro da minha vida anterior, descobrindo novos caminhos com a preciosa ajuda de sANtiAgo. Começou a revolução... onde me levará?

subindo na vida


Depois de desenvolver alguns projectos, sem grandes consequências, acabei por voltar a colaborar com a Caderno Verde assumindo a coordenação do Centro de Formação Ambiental da Quinta da Gruta, de 2002 a 2004, promovendo cursos de arquitectura, organizações não governamentais, educação ambiental, jardinagem, marketing... enquanto eu próprio frequentava uma pós-graduação em ordenamento do território e sustentabilidade. Depois da Agenda 21 de Mindelo, em 2004 entrei para a equipa técnica do projecto "Agendas 21 do Eixo Atlântico", que incluiu a realização de processos participativos em 18 municípios da Região Norte e Galiza. Definitivamente subi na vida! (trabalhava no último piso do isqueiro da Maia, na foto).
A partir de Fevereiro de 2005 passei a integrar o Grupo de Estudos Ambientais da Escola Superior de Biotecnologia / Universidade Católica Portuguesa, acabando por ficar responsável pelo Futuro Sustentável, mais tarde pela Agenda 21 do Vale do Minho e agora pelo "novo" e fantástico grupo de cidadania do Intervir Mais, onde devo ficar pelo menos até final do septénio...

fonte da juventude


a avina levou-me a espanha e ao brasil revisitado. e aos ecoclubes, que me levaram novamente a espanha e ao brasil, à ucrânia e à polónia. seguiu-se a bulgária. o mundo cresceu e os horizontes abriram-se ainda mais.

Finding the meaning of life... ou não


"Gostaria de viver num local onde as pessoas, mesmo aquelas que não conhece, estão sempre dispostas a ajudar? Onde as preocupações com o ambiente não são palavras vãs? Onde é possível participar facilmente e de uma forma efectiva nas decisões que são tomadas e que afectam a todos? Um local pacífico, onde não é preciso ter medo de assaltos? Está pronto para mudar de vida?"
texto completo aqui, onde conto a minha história pessoal sobre a busca das ecoaldeias e comunidades sustentáveis. No alentejo, na alemanha, na escócia, em gondomar, almada, são martinho ou odemira... continuei à procura do sentido para a vida. acabei por convencer-me que ele estava em mindelo... para mais tarde descobrir que (talvez) não.

PS. encontraram-me na imagem acima?

Amazónia e Pantanal


e chego ao quinto septénio, dos 29 aos 35 anos, de Maio de 2001 a Maio de 2008, se tudo correr bem. A 25 de Julho de 2001 partimos para o Brasil. Do extenso "diário de um aventureiro em busca do primitivo" que na altura escrevi, escolho este excerto:

A Selva cristalina
Após uma estrada de pó vermelho, rodeada de fazendas e pastagens de gado sarapintadas de cupim, chegamos, quase entramos de ônibus, numa abertura da mata: um rio imenso surge por detrás de uma imagem de beleza inesquecível. É esta a porta de entrada para um mundo à parte, agora sim, ‘longe de tudo’.
Separados por três barcos, subimos o Teles Pires, entramos no Cristalino, rumo à selva profunda. Sentimentos? Somos Costeau, aventureiros amazónicos... é o regresso às origens, à magnitude do selvagem, ao mistério do primitivo. Percorremos as veias de Gaia, numa extasiada emoção, afastando da cabeça a voz que nos chama loucos. A viagem é por demais maravilhosa!
Chegamos ao nosso acampamento na selva, na verdade um lodge, onde somos recebidos por uma iguana que protege os seus ovos, indiferente aos animais que chegam de outro hemisfério. Afogamos os nossos receios em caipirinhas. O medo da selva, do desconhecido, do bicho que pica e come... que rasteja e é peludo, que nos espreita constantemente... é forte. Mas estar aqui, rodeados de muitos km de selva, sem carros, sem prédios, sem civilização alguma... cercados por um verde denso, repleto de sons e sombras... é indescritível.
O Cristalino, o ‘nosso’ rio que corre para o Amazonas, é uma grande cobra de águas escuras, serpenteando pela Selva. Junto a ele estivemos a ver as estrelas e o imenso céu, iluminado por uma lua que não sabemos se cresce ou descresce. O brilho dos olhos, reflectindo a luz das lanternas, denuncia os jacarés, que somamos à já longa lista de “figurinhas”.
Já à luz de velas (o gerador apagou-se) termino estas linhas, sem querer deixar de recordar o rosto belo de felicidade da Marta, subindo o rio, dizendo-me ser este talvez o sentido para a minha vida: o de manter sempre acesa esta coisa linda.

Eu e ela, para "mim e dele"


e é também com "naturalidade" que me caso com a marta em Abril de 1997 e vamos viver para Mindelo (sobre o meu envolvimento com os amigos do mindelo e a reserva ornitológica não vou repetir o já escrevi aqui). com ela partilho tudo, talvez demasiado.

Caderno Verde


e é com "naturalidade" que vou trabalhar para a Caderno Verde que pertencia ao Grupo Fórum e onde estive de Setembro de 1996 a Dezembro de 2001. Fico responsável pela concepção e realização de campanhas de comunicação e educação ambiental, envolvendo consultoria, publicações, materiais pedagógicos, eventos, páginas na internet, cd-rom´s, comunicação institucional, formação, exposições, publicidade, assessoria de imprensa, centros de educação ambiental, animações, oficinas de ambiente, entre muitas outras acções. Participo em projectos para Associações de Municípios (Planalto Beirão, Vale do Douro Sul), empresas multimunicipais (Lipor, Rebat, Resat, Residouro, Resulima, Valorminho), Câmaras Municipais (Almada, Felgueiras, Gondomar, Lisboa, Maia, Odemira, Oeiras, Paredes, Porto, Valença, Vila Nova de Gaia), empresas e associações empresariais (Associação Empresarial de Portugal, CIN, Faurecia, Grupo Sonae, Parque das Nações, Philips), Ministério do Ambiente (Instituto de Promoção Ambiental, Instituto dos Resíduos), Águas de Portugal, Direcção Regional de Turismo dos Açores, Energaia, Instituto Superior de Gestão e SIMRIA. Começo por ser apenas eu a fazer uns textos sobre aterros num velho mac com o tecto a cair-me em cima e acabo a gerir uma equipa de cerca de 20 pessoas, trabalhando ao nível do planeamento estratégico, controlo financeiro, gestão de recursos humanos, marketing e direcção de projectos, reportando directamente à administração (leia-se, discutindo periodicamente com o LS que acabou por conseguir afundar a empresa depois de eu sair). Foram muitas as amizades entre clientes e colaboradores, imensos os projectos, demasiado o stress. "o lixo passou à história".

sobrinhos


Ao primeiro juntaram-se mais dois (em Fevereiro de 1996 e Agosto de 1998).

ambiente


e chegamos ao quarto septénio, dos 21 aos 28 anos, de Maio de 1994 a Maio de 2001. o curso está a ser doloroso... tudo demasiado teórico, afastado da realidade... não cumpre o meu desejo de "mudar o mundo". aos poucos o ambiente começa a desenhar-se como a "saída", a "luz ao fim do túnel". a motivação que preciso para terminar o curso e começar a minha vida profissional, mas mais do que isso, orientar a minha vida. a "gota de água" é o encanamento do ribeiro e o abate das árvores que foram a minha paisagem diária de sempre. são tempos de descoberta de lugares naturais (estuário do Tejo, foz coa depois da não barragem, alqueva antes da barragem, o tejo internacional onde a quercus faz nascer uma área protegida, o gerês...) e da paixão pela vida selvagem. de ouvir pessoas inspiradoras como o jorge paiva, o pedro vieira ou o gonçalo ribeiro telles. de fazer trabalhos de pesquisa na ria de aveiro (em saídas inesquecíveis de barco a recolher sedimentos carregados de metais pesados e águias feridas, na foto) ou em labruge (na descoberta das algas e do seu papel no mundo). na faculdade estudo etares, ciclones, os resíduos dos curtumes e a reciclagem de latas de alumínio. em visita à soporcel na figueira da foz descubro que trabalhar na indústria não é para mim. entrevisto professores que fazem a diferença para o jornal da feup que ajudei a nascer e surge a vocação de divulgar e sensibilizar. tiro cursos (ecologia e meio ambiente com a LPPS, educação ambiental em lisboa, de formadores na praça da batalha, para jovens empresários na área do ambiente, de auditorias ambientais...) e vou a conferências, em serralves ou na gulbenkian. visito países no intercâmbio internacional de agricultura e ambiente (Inglaterra, Alemanha, Espanha e Islândia). o meu mundo está cada vez maior.

olha o relógio!


o segundo acontecimento foi o casamento do "mostardinha" e nascimento do meu primeiro sobrinho a 25 de Novembro de 1993. Nesse Natal de há 14 anos não faltou o menino jesus nem as obelhinhas. com 20 anos fui tio pela primeira vez...

e para terminar...


... o terceiro septénio, não posso deixar de referir dois acontecimentos marcantes. primeiro: as operações que a minha mãe fez "à cabeça" a 15 de Julho de 1987 no Hospital de S. João e a 21 de Maio de 1992 em Hannover (e ainda mais tarde na Suiça a 9 de Junho de 1998). Foram grandes sustos... e ficou demonstrada mais uma vez a enorme força e determinação que ela tem. Obrigado mãe, por seres uma "sobrevivente"!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

na faculdade...


... tudo mudou, até o meu nome, de pedro adélio para pedro macedo. conheci a Lena de Macedo de Cavaleiros, cuja amizade partilho até hoje. fui violentamente praxado e acabei por assumir a luta da anti-praxe como uma causa, desafiando doutores e veteranos. com o luciano e demais "pastéis", criamos um grupo de direitos humanos que também se dedicava à promoção da objecção de consciência. fiz parte da comissão de curso com a betty (organizamos uma inesquecível campanha contra a sida na queima das fitas, distribuindo centenas de preservativos) e da associação de estudantes (de onde conseguimos "enxotar" uns parasitas que por lá andavam há muito tempo... ). ter tempo para as aulas é que era pior, ainda para mais com tantos sítios bons para apanhar sol e tantos cafés e pastelarias por perto... na altura dos exames era preciso "hibernar" para compensar o tempo "perdido". mas ainda tive tempo para (mais uma vez) deixar crescer as suiças...

finalmente... adulto e comprometido


nada como um final de ano para dar seguimento à minha biografia e tentar chegar a hoje. vai ter que ser necessariamente bem sucinta... relembro que vou no período dos 14 aos 21 anos, ou seja, 1987/1994. Depois da impressionante estadia no Brasil no verão de 1990 recomecei a escola para o meu 12º ano... a "amizade colorida" com a patrícia terminou com uma "chamada" a casa da Marta em dia de muita chuva. ela estava apaixonada por mim... mas iria obrigar-me a um longo período de namoro platónico e jogo de sedução para finalmente no dia 25 de janeiro de 1991 me dar o primeiro beijo à porta da escola e "fugir" apressada para casa, deixando-me nas nuvens. começaria assim uma relação que iria durar longos anos e que não vou aprofundar, por respeito à privacidade dos dois. Uma relação que tropeçou na Madeira e que nesse ano passou por Vidago, Viana do Castelo (como eu corri naquele dia!), Lisboa, Esmoriz, Algarve (primeiro Quarteira na viagem de finalistas e depois Altura, na foto acima)... e nos anos seguintes pela "rota da luz", por Avô, Serra da Estrela, pelo Alentejo... coleccionando excelentes e terríveis memórias... é, haveria muito que contar... foi também nesse ano (1991) que entrei na "fase adulta" comemorando os meus 18 anos... tratei do recenseamento militar e eleitoral, utilizei o MB pela primeira vez e tirei a carta de condução. sobrevivi à PGA e às específicas e entrei na faculdade, mais precisamente em engenharia química na FEUP (rua dos Bragas). Foi um início da vida universitária bem atribulado... como houve um erro no processo de selecção acabamos por entrar alunos a mais e fizeram de tudo para nos tirar de lá (houve pessoal que chegou a ser "empurrado" para medicina sem sequer ter feito as provas).

sábado, junho 16, 2007

perdi a cabeça...


jágora... sigo um pouco com a minha pendente análise biográfica (vou no terceiro septénio)... nesta escola estive do 8.º ao 12.º ano... depois do periodo de "trenguice", finalmente comecei a acordar para a vida, ou como diziam os professores e funcionarios, chocados ou seduzidos, comecei a "sair da casca"... isto lá para o 10.º ano... foram os tempos das (muitas) namoradas, da susana (conhecida pelo telefone, amiga da sandra, a minha phone-friend da areosa), da outra susana (a primeira mulher que me ofereceu flores... e talvez a que recorde com mais carinho), da elsa (a que durou mais tempo), ainda da outra susana (caso estranho), da lola (a que mais me custou magoar), da da da... do rockabilly seguido pelo psychobilly (peste&sida, the cramps, the meteors, ultraje a rigor...), das suiças seguidas pelo cabelo cor-de-laranja, do "ars nova" seguido pelo "pátio das mijonas" e do "lá lá lá", dos cavaleiros e do sal e limão... seguido de tequilha, das excelentes notas e dos chumbos prepositados, das economias seguidas pelas quimicotecnias, da timidez seguida pela auto-estima, de vidago a merignac, do rio de janeiro profundo (a soltar pipa com os moleques da rua) para a faixa de gaza, do mitico acampamento no geres para a inesquecivel segunda viagem ao brasil, dos passeios a fatima ao perola negra, da salomé que me levou ao primeiro amor (de seu nome Agostinha, que me acordou para a revolução e para a poesia), das praias de matosinhos e da piscina de leça para o mindelo e as caminhadas e canaviais sem fim, das longas cartas e do primeiro jornal da escola, da primeira associação de estudantes (nasceu o activista) a vitima da politica partidaria, da taça dos campeos europeus (o rato ainda por lá anda nos super-dragoes) à libertação do mandela, das motas a abrir e das calças a rasgar, do inverbe ao emancipado, do crisma à cisma em descobrir o mundo, de coração aberto, com grandes amores, grandes amizades, grandes duvidas e enormes certezas: carpe diem

ps.
ufa, bons tempos... :)

domingo, fevereiro 25, 2007

genialmente estupido



bem, ja devem estar a ver o tipo interessante que eu era neste inicio de septenio (com 14 anos, em 1987)... ao facto de ser marrao juntava-se um optimo gosto para roupas, em especial fatos-de-banho, uma unha encravada que me obrigava a andar sempre de sandalias (depois da operação cheguei a andar com uma sandalia num pé e uma sapatilha no outro, na esperança de me convocarem para os jogos de futebol dos intervalos e "furos", mas nem assim...), uma timidez de bradar aos ceus... conduzindo a um isolamento quase monastico (estou a exagerar um bocadinho, mas so um bocadinho...) e a um desconhecimento profundo de tudo aquilo que me deixava louco de curiosidade (nesta altura eu achava que camisa de venus era mesmo uma camisa... teria piada se nao fosse verdade...)

a minha maior frustação foi nunca ter ido aos caulinos, local mitico para todo o tipo de aventuras na escola do padrao da legua (escola enorme e cheia de miudos mais velhos, na qual nunca me integrei e onde passava horas a raquetar bolas de tenis com as maos num estilo de squash rudimentar ou a tentar sobreviver no autocarro apinhado)...

namoradas? só platonicas, que eu tinha era mesmo queda para filosofo...



deixar o padrao e vir estrear a escola de sao mamede de infesta no 8º ano (1986/1987... entrei de muletas amparado pela minha mae... god!) foi um alivio... a escala aqui era bem mais humana... mas continuei bem parolo, e nem as primeiras "festas em casa da xana" me salvaram... ah... essas miticas festas na cave, com bola de cristal e tudo... começaram no 9º e iriam manter-se nos anos seguintes, cada vez mais quentes... já lá vamos, já lá vamos...

estupidamente genio


"o melhor aluno da escola"... um rotulo pesado que me embaraçava... dedicava-me aos estudos, gostava de aprender mas acima de tudo de cumprir os meus deveres, da melhor forma possivel... mas detestava este rotulo, gerador de um fosso entre mim e os restantes, que me viam como um nerd (marrão)... e acima de tudo gerador de atenções "publicas" que me envergonhavam... lembro-me que no 1.º ano (actual 5º), na altura na escola preparatoria da mainça (as urbanizações acabaram por substituir os pré-fabricados que ocupavamos), no final do ano tive tudo 5´s! e como uma vergonha nunca vem só, fui chamado ao conselho directivo porque queriam conhecer o "bicho raro"... uma experiencia pavorosa!

devo dizer que isto de me darem 5´s era um bocado "moda"... pelo menos em educação fisica eu claramente nao merecia (so se fosse pelo empenho...) ... claro que isto era meio caminho andado para se levar porrada (ou no minimo ser-se desprezado) por todos os que tinham belos corpos e coisas mais interessantes para fazer do que estudar, ou seja, aqueles que de facto me atraiam (e eu atraia, na altura de copiar os TPC)...

com o tempo fui melhorando: no 2.º ano (actual 6º) tive um 4 a portugues, no 7º tive 4 a historia e trabalhos oficinais (tambem pudera, o lindo banco em madeira que eu fiz desmoronou-se na altura da avaliação, apesar do jeito que tinha levado clandestinamente na fabrica Monteiro Ribas... ao chegar a casa, depois da vergonha, enchi-o de toneladas de pregos e cola de madeira e deixei-o a secar ao sol... acabou por solidificar mais inclinado que a torre de pisa mas capaz de aguentar com uma pessoa em cima dele), no 8º voltei a piorar e tive apenas um 4 a portugues e tudo o resto 5´s e finalmente no 9º, que terminei em 1988, já consegui ter 4 a portugues, historia, biologia, educação fisica e introdução à economia... ena! ainda assim tive 7 5's...

lugar do telheiro



até aos 23 anos vivi em casa dos meus pais, no lugar do telheiro, freguesia de s. mamede de infesta, concelho de matosinhos. mais precisamente na Rua de S. António do Telheiro (o santo terá um dia pernoitado junto à capela, tendo-se erguido um telheiro para o abrigar).

este lugar fica a poente da estrada que vai do cruzamento do amial (estrada da circunvalação, perto do hospital s. joao) até ao centro de s. mamede (vira-se na padaria santo antonio), "encravado" entre a cinzenta e equestre fábrica de curtumes Monteiro Ribas (onde o meu pai trabalhou durante muitos anos) e a linha de comboio que vem do porto de leixoes (com a bela estação de S. Mamede, que atravessava a correr para nao ser apanhado pelo guarda - é uma linha apenas de transporte de mercadorias...).

quando os meus pais se mudaram para lá era ainda um lugar rural, com quintas, campos e vacas a pastar, o ribeiro de picoutos onde em tempos se lavava roupa e que provocava grandes inundações (já o conheci imensamente poluido mas ainda com margens vivas onde construia os meus telheiros e sonhava com jangadas), capela e grandes festas populares em honra do santantoninho (na primeira semana de setembro, atraindo multidoes, com decorações na rua, capela toda iluminada, procissao... muito fogo de artificio, preso e celeste, dançaricos no meio da rua, carrosseis e carrinhos de choque, leiloes e matraquilhos, farturas e bifanas...), a escola primária que frequentei da 1ª à 4ª classe (assim como os meus irmaos), o aviario dos vizinhos, o mini-mercado, a pastelaria...

ao fundo da rua existia aquilo a que chamavamos simplesmente a "ilha", onde viviam os mais pobres, em pequenas casas amalgamadas, gente rude que de tempos a tempos gerava grandes discussoes... ter um problema com um deles era ter um problema com todos... por isso e por nunca se prever o que podia acontecer, sempre que passava por lá era um pouco a medo... mas simultaneamente sentia-me atraido por toda aquela vida comunitaria, colorida e animada, de roupas e velhos a apanhar sol e de musica, crianças e mulheres aos gritos...

hoje em dia (quase) tudo está mudado. s. mamede é agora uma cidade, o ribeiro foi encanado e a vegetação das margens arrasada (esta destruição da paisagem do meu quarto despoletou a minha consciencia ambientalista), a ilha ja nao existe (os moradores estarao provavelmente algures num bairro social), apesar dos muitos predios construidos a escola ficou com poucos alunos e, depois de exemplarmente recuperada, acabou por fechar (fenomeno que me deixa perplexo)... os campos estao encolhidos, quase todos abandonados e com varias ocupações "clandestinas", incluindo uma oficina de escapes nas traseiras da minha casa... as festas populares estao asfixiadas...

um dia os campos a nascente e/ou poente da rua de santo antonio serao transformados num grande espaço verde...

análise biográfica

a pedido de vários leitores, e para tratar de "encerrar" o meu passado, regresso à minha análise biográfica, exercício que desenvolvi com a Fátima e que começou aqui. Para consultar todos os posts basta clicar em biografia.

retomo onde fiquei, no inicio do terceiro septenio, analisando o periodo dos 14 aos 21 anos, 1987/1994, em plena puberdade...