"A Câmara do Porto «cortou esta noite a luz do Teatro Rivoli e colocou o ar condicionado no máximo para dificultar a permanência dos manifestantes», contou ao PortugalDiário esta manhã Francisco Alves, director do Teatro Plástico, um dos barricados há mais de 32 horas." ler mais
Estamos solidários, por um Rivolivre!
PS: adoro a criatividade linguística dos manifestantes!


7 comentários:
Estou particularmente solidária com a causa por todas as razões ligadas à cultura do Porto, ao protesto obrigatório a medidas totalmente autistas e acima de tudo porque conheço a realidade de um dos meus vizinhos (o F.).
É técnico de som no Rivoli e vejo diarimente(bom, via até recentemente) espelhada na cara a dele a dúvida, a insegurança, a incerteza provocada pela situação há já vários meses. Porque o que chegou às ruas há pouco tempo já se sentia no cerne do Rivoli há bem mais...
Não é a questão de perder o seu emprego que preocupa o F. mas o não saber de todo em que terreno pisa. Estou solidária, F.
O Rio não foi eleito pelo povo? A medida não foi sujeita a debate público? A câmara não tem direito de experimentar formas alternativas de gerir os seus equipamentos? O Povo não tem direito ao seu divertimento e cultura, tal como as elites intelectuais? A cultura só é boa se não tiver espectadores e for paga com dinheiros públicos? Confiram lá na página da cultur porto quantos tripeiros são precisos, pagos e bem pagos, para gerir um teatro (http://www.rivoli.culturporto.pt/pag00.htm).
bem, o facto de ter sido eleito pelo povo, não implica que não exista o direito (e dever) de criticar... afinal vivemos numa democracia participativa, e não meramente representativa (por favor consultar constituição). será que as prioridades de investimento em termos culturais devem ser corridas de automóveis antigos? será que a cultura ficará mais acessível ao povo, em lugar das elites, com o rivoli privatizado? será que não vamos ter preços proibitivos? ou espectáculos de gosto massificado, para os quais existem outros espaços mais adequados? mas tenho que admitir que uma gestão privada, desde que os termos da cedência salvaguardem o interesse público, poderá ser uma boa solução para gerir melhor os dinheiros públicos... confesso que não conheço os termos do concurso público a decorrer por isso não tenho uma posição final sobre esta matéria. mas também gostaria que alguém me demonstrasse que a gestão privada é melhor que a gestão pública (mito), conhecendo a realidade das empresas portuguesas... de qualquer forma a CM Porto, no seu jeito autista, já vai resolver o "problema": vai ser hoje apresentada queixa-crime contra os ocupantes do Teatro Rivoli.
mais de 500.000 euros/anos para sustentar a estrutura do Rivoli? ja é tempo de se acabar com o mito de que o que é cultura não vende ou enche salas de espectáculo. Essas teorias dão imenso jeito a "agentes culturais" que gostam de viver à custa dos que não gostam ou não vêem os seus "espectáculos". Só lamento é o gasto extra em energia com o AR condicionado, mas espero que a CM Porto inclua no processo crime um pedido de ressarcimento desses custos.
Caro Bravos do Mindelo,
Depois de o ter "perseguido" após termos "colegado" no blog poveiro «MeninosEuVi» (www.euvimeninos.blogspot.com), eis que dou de caras com o seu blog e com um assunto "próximo" de um outro que escrevi anteontem no «Impressões de um Boticário de Província & Cª Lª» (www.trenguices.blogspot.com) sobre o projecto Porto Feliz. Feita a, extensa, apresentação, eis a minha colherada sobre o Rivoli.
Segundo as informações que têm sido divulgadas, a manutenção do Rivoli custará à CMP cerca de 2,5 milhões de euros por ano. As receitas deste teatro municipal cobrirão, apenas, 6% das despesas. Ponto, creio eu, final! O que quer que se queira acrescente a isto é, na minha opinião, mero paliativo. Se a programação deveria ser mais, ou menos, «popular»; se o espaço poderia, ou não, ser aproveitado para outro tipo de espectáculos; se a gestão estatal é, ou não, melhor do que a gestão privada, etc. Como sói dizer-se, tudo questões «pour empâter le bourgeois». Porque a questão fundamental mantêm-se: tal como está, o financiamento do Rivoli é insustentável.
No entanto, compreendo a mágoa. Das pessoas que lá estão sitiadas e das pessoas que estão a "assistir" a tudo isto, cá fora. Nós todos, portanto. Mas a única forma, que eu conheça, de remendar isto, é passarmos a ir, todos, ao teatro. Todos os dias. E não apenas os trinta ou quarenta lá sitiados, que me dizem ser o número médio acumulado de espectadores do Rivoli. Ou seja, não temos cá o «Cats», a «Madame Butterfly» ou o «Fantasma da Ópera», apenas para mencionar os musicais que duram anos em palco em Londres ou Nova Iorque, porque simplesmente nós, portuenses, portugueses, não vamos ao teatro. Ou, se vamos, vamos lá 30 ou 40 por sessão, como na pela que o Teatro Plástico lá exibiu em quinze dias. Pouco, muito pouco para um teatro que custa o que dizem custar.
Como sempre, ainda mais quando se trata de investimentos públicos, creio que haverá que ter atenção ás alternativa. Por exemplo, o Porto Feliz custa 1,8 milhões de euros/ano, menos, portanto, que o Rivoli. Face ao «mercado» de cada um, não tenho dúvidas de que apostaria no Porto Feliz. Como, por outro lado, não acredito que, mesmo a gestão privada, mantendo a estrutura de custos actual, se dê a volta à gestão do Rivoli, o melhor seria alienar o próprio teatro municipal. Que, porventura, nunca deveria ter sido comprado, se afinal não tem espectadores no Porto. Mas, claro, como muitas das decisões «politicas» em Portugal, a decisão de o adquirir foi muito pacífica e terá dado votos a quem a tomou. Mais difícil é, sempre, para quem tem, depois, de a pagar. Trabalhadores do teatro inclusivè, claro.
Entretanto, parabéns pelo seu blog, que não conhecia. Adorei o video Hug Free. Em algumas estações do Metro do Porto seria, certamente, corrido à pedrada. Desgraçadamente.
Se calhar nao deviamos ter gasto 100 milhões de euros na Casa da Música, quando nem sequer o Rivoli conseguimos potenciar...
Enviar um comentário